O que dizer da primeira semana do skate nas olimpíadas?

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Muitos a favor, muitos contra, mas e ae? As Olimpíadas Tokyo 2020 chegaram, o street já rolou, e agora? Estou de perto acompanhando e vi muita coisa realmente acontecendo e muita coisa sendo dita, e queria aproveitar para resumir meus pareceres.

Em apenas um final de semana, com apenas uma modalidade, tivemos novamente um “Boom” num nível muito maior do que o esperado, uma medalha de prata que para muitos teve gosto de ouro, e neste caso estou falando da Rayssa Leal, a Fadinha, pois aparentemente para a mídia e público ela se sobressaiu ao bronze do Judô ou a primeira medalha olímpica do skate brasileiro, a prata de Kelvin Hoefler. Justo? Não acho, pois foi um momento com diversos guerreiros e heróis, basicamente toda seleção olímpica do street lutou de uma forma incrível neste primeiro final de semana de olimpíadas e o próprio Kelvin veio com uma força e uma garra digna a ser celebrada!

 

 

Mas então começaram os primeiros problemas, num primeiro momento o skate começou a participar da lista das fofocas, muita matéria inútil e de fofoca sobre os envolvidos ou pseudocelebridades querendo aproveitar a onda, até o grande Chorão foi desenterrado para assistir a Fadinha, o pior ainda foi ver que muitos skatistas caíram no “click bait”, e deixaram a conquista do Kelvin de lado para focar nos fuxicos do backstage.

Num segundo momento, tivemos a enchente de grandes empresas e até órgãos públicos se aproveitando da imagem da nossa querida Fadinha para ganhar likes ou seguidores, ela chegou a virar banner de posto de gasolina e até um melão, por mais ridículo que possa parecer! Mas me alegra ver a ética das marcas de skate que não os apoiam em não se aproveitarem desta onda para ganhar seguidores ou likes a qualquer custo.

 

 

Somando a tudo isso, uma enxurrada de novos entendedores do skate que nunca pisaram em um falando sobre se foi “roubado” ou não, essa parte eu até acho legal, pois pode gerar novos adeptos ao nosso life style e um aquecimento do mercado, assim como já se pode perceber em alguns setores, como o de skateshops e professores de skate.

Mas...

Ao mesmo tempo, alguns skatistas criticaram, falando que o skate morreu, que o skate nunca mais será como nos anos 80, sendo que tem pelo menos 20 anos que já não é! Um famoso não podia nem parabenizar ou tirar uma foto segurando um skate que já apareciam milhares de comentários bombardeando a pessoa, como foi o caso de Michelle Barros da Globo, uma pessoa que não vai ganhar mais ou menos dinheiro por isso. Por que não aproveitamos a onda para levantar o que é de nosso interesse? A apresentadora tirou foto com um skate? Vamos pedir a ela que ela faça mais matérias com skatistas ou apresente projetos sociais que ajudam crianças carentes usando o skate como ferramenta de mudança, vamos bolar projetos para serem apresentados para as grande empresas que tem usado nossos skatistas para divulgação própria, vamos surfar a onda em nosso próprio benefício! Isso poderia aumentar o número de pistas de qualidade, ajudar crianças carentes e até chegar ao ponto de aumentar os investimentos em skatistas que talvez nunca fossem ter qualquer reconhecimento!

Hoje podemos ver inúmeros benefícios que o skate olímpico tem trazido a cena, skatistas que talvez estivessem desempregados ou se virando nos 30, conseguindo empregos surreais, neste exato momento, temos skatistas nos jornais, trabalhando com a seleção brasileira de forma remunerada e até trabalhando para seleções estrangeiras, como o Cris Mateus para a seleção do Chile e o Lecio Neguinho para a seleção da China como por exemplo.

Resumindo, tem coisas bizarras que o lance olímpico trouxe? Claro que tem! Mas ele também está trazendo coisas positivas e pode servir de trampolim para a cena e para muitos! A essência do skate sempre será a mesma se assim nós quisermos, não dependemos de COI ou COB para ditar nossa essência, precisamos de Respeito, União, Liberdade e Evolução! Não vamos julgar, mas vamos somar e fortalecer a cena! #eusouskatista

 


Marcelo Sanzoni 

Skatista, com o trabalho em mídia no Canal Eu Sou Skatista desde 2016, militante do skate e sempre focado em divulgar a cultura e a essência do skate, transmitindo pelo menos duas lives por semana no Instagram a mais de um ano e dando voz a lendas, skatistas do dia a dia e fomentadores do skate, aquele que já entrevistou do menino do bairro até Sergio Negão e Tony Hawk, sempre por amor ao skate!.